ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Lei Nº 8.069, de 13 de Julho de 1990.
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ARTIGOS
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Resumo Jurídico

Artigo 90 do Estatuto da Criança e do Adolescente: A Busca pela Reintegração Familiar

O artigo 90 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece um princípio fundamental na garantia dos direitos de crianças e adolescentes: a prioridade absoluta da manutenção do vínculo familiar. Isso significa que, sempre que possível e no melhor interesse da criança ou adolescente, a sua permanência ou retorno à família natural deve ser buscada.

O Que Significa "Família Natural"?

A família natural, para fins do ECA, abrange não apenas os pais biológicos, mas também outras pessoas que possuam um vínculo afetivo e de cuidado com a criança ou adolescente, como avós, tios, ou mesmo quem tenha assumido a sua guarda de fato. O objetivo é preservar a rede de apoio e afeto que é essencial para o desenvolvimento saudável.

Medidas de Proteção e a Família

Quando medidas de proteção são aplicadas a uma criança ou adolescente, como o acolhimento institucional ou familiar, o ECA determina que a equipe técnica responsável pela sua acompanhamento deve trabalhar ativamente para que a reintegração familiar aconteça. Isso não é apenas uma formalidade, mas um compromisso com o bem-estar da criança.

A Importância da Avaliação Familiar

A avaliação da família natural não se limita a verificar se os pais são "bons" ou "maus". Trata-se de um processo complexo que busca entender as dificuldades enfrentadas pela família e, mais importante, oferecer o suporte necessário para que ela possa superar esses desafios e oferecer um ambiente seguro e acolhedor. Isso pode incluir:

  • Orientação e acompanhamento psicológico e social: Para auxiliar os pais a lidarem com questões emocionais, comportamentais ou de relacionamento.
  • Encaminhamento para programas de apoio: Como cursos profissionalizantes, programas de geração de renda, ou acompanhamento de saúde.
  • Mediação familiar: Para facilitar o diálogo e a resolução de conflitos dentro da família.

Quando a Reintegração Não é Possível?

É crucial entender que a busca pela reintegração familiar não significa que ela seja sempre a melhor ou a única solução. Em casos onde a permanência na família natural representa um risco real e iminente à integridade física, psicológica ou moral da criança ou adolescente, outras medidas de proteção, como o destacamento do poder familiar e a busca por uma família substituta (apadrinhamento ou adoção), podem ser necessárias.

No entanto, a regra geral, e o espírito do artigo 90, é que a família, com o devido apoio e acompanhamento, é o local mais indicado para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. A atuação do poder público deve ser sempre no sentido de fortalecer e auxiliar a família a cumprir seu papel, garantindo assim o direito fundamental à convivência familiar e comunitária.